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29 março 2016

Kettlebell – A importância do Swing para contrariar as muitas horas em posição sentada


 Abordei o Kettlebell de forma generalista e com o objetivo de diferenciar-se relativamente a uma barra ou a um halter. Se tiver curiosidade, eis o link (http://villagefitness.blogspot.pt/2016/02/kettlebell-kb.html);
Vou aprofundar com maior rigor o movimento/técnica que é popularmente (re)conhecido quer pela sua importância, quer pela complexidade: o SWING (ou Russian Swing).
É facto que os comportamentos e hábitos sedentários que generalizadamente afectam uma sociedade como a nossa estão grande parte relacionados com inúmeras horas sentadas e/ou não fazem exercício físico e/ou tem excesso de peso. O artigo do colega David descreve simples e resumidamente alguns destes problemas. Segue link: http://villagefitness.blogspot.pt/2016/02/cinco-habitos-diarios-que-estao-afetar.html.


Como se faz o Kettlebell Swing?
A forma mais simples de explicar, para quem já treina em ginásio, é relacionar o KB Swing como um movimento similar e com semelhante participação muscular a um Deadlift ou Peso-Morto (PM), as diferenças são que o PM é um movimento ascendente-descendente com uma trajectória vertical e o KB Swing também ascendente-descendente mas com trajectória pendular. 
Através da minha experiência como treinador e da própria literatura atribuo ao Swing um movimento de complexa execução. Segura-se o kettlebell com as duas mãos enquanto a ligeira flexão do joelho acontece para permitir uma acção balística de flexão-extensão da bacia, onde após a extensão da bacia, deve acontecer um completo alinhamento entre joelho-bacia-coluna, em que acção do KB deverá ser feita com um movimento pendular em aceleração em fase ascendente até ficar perpendicular ao tronco, e desaceleração na fase descendente.
Irei descrever as diferentes Fases do Movimento Kettlebell SWING (2 mãos)
1-Fase Posição Inicial: 
Posição dos pés paralelos à anca e afastados do Kettlebell, com flexão da bacia e braços em extensão segurando o KB com as duas mãos; 



2-Fase Pré Swing:
Em posição de flexão da bacia, o KB movimenta-se para trás e entre as pernas;




3-Fase Aceleração:
Transição da flexão para extensão da bacia, com um movimento forçosamente pendular de aceleração numa trajectória anterior- superior.




4-Fase Swing:
Através da extensão da bacia, transição da aceleração do KB, anterior- superior num percurso curvilíneo.




5-Fase Final do Swing:
Extensão final da bacia com o KB suspenso no pico da sua trajectória, em linha com o olhar e perpendicular ao tronco, com alinhamento vertical entre os joelhos, bacia, tronco e cabeça do praticante;




6-Fase do Retorno:
Voltar a posição de flexão da bacia com o KB a inverter a sua trajectória curvilínea, quer por efeito da gravidade ou através da contracção concêntrica;




Respiração (fundamental):
No início da Posição Inicial, quando a bacia estiver flectida faça uma inspiração com o diafragma fique cheio e envolva o core e mantenha as costas neutras e prepare o seu corpo para o movimento explosivo da bacia.
Após extensão da bacia e a subida do KB até posição vertical, expire fortemente (como se estivesse a assoprar umas velas). Isto vai fazer com que aumente a potência no movimento e consiga, brevemente, irá aumentar de peso.

Através de sequência de imagem terá uma percepção contínua do movimento. 










Erros comuns:
Joelhos em completa extensão na Fase de Posição Inicial;
Joelho e bacia em alinhamento horizontal, como que em posição de squat;
Flexão da coluna nas diferentes fases do movimento;
Aplicar mais potência nos membros superiores que nos membros inferiores;
Respiração descoordenada durante o movimento;
…
Nota: A prática acompanhada e supervisionada por um profissional especializado e certificado é fundamental para uma aprendizagem cuidada e com o máximo de segurança.

Será que o Kettlebell Swing é um movimento que ajuda a contrariar as muitas horas sentadas?
Sim!!!
Vejamos, o Kettlebell Swing é uma técnica que se manifesta, predominantemente, por desenvolver a musculatura da cadeia posterior (Imagem Figura 1). Ou seja, nos membros inferiores os hamstrings e os glúteos (Van Gelder et al,2015) e no tronco os erectores da coluna (McGill & Marshall,2012). Ao exercitá-los está a activar musculatura que habitualmente fica “adormecida” ao estar numa posição de sentado demasiado tempo, o que no caso particular dos glúteos - McGill (2007) caracteriza de “amnésia gluteal”, tem algumas consequências, desde causar dor nas costas até problemas digestivos.


Figura 1- Retirado de
Muscle & Motion – Musculados da cadeia posterior no Kettlbell Swing;










Sugestão: 
Para activar e potenciar a musculatura, aumentar a massa muscular e reduzir a massa gorda, tem como opção fazer o seguinte: 
1) 12’ continuamente com KB de 16kg, vai ter benefícios metabólicos;
2) 12’ (30” execução- 30” pausa) balisticamente, ou com aceleração- desaceleração, com KB 12kg para pessoas com menos de 70kg ou KB 16kg pessoas com mais de 70 kg, com aumento de força e potência;
Poderá alternar entre a opção 1 e 2.

Para quando experimentar esta técnica?



Cristóvão Ringenbach Jordão
 
Personal Trainer
Kettlebell Instructor 






Referência:
Farrar et al (2010) – Oxygen cost of Kettlebell Swings. The Journal of Strength and Conditioning Research - Volume 24 -Number 4;
Jonen, W. & Netterville, J. (2013) - Kettlebell Safety: A Periodized Program Using the Clean and Jerk and The Snatch. Strength and Condition Journal Volume 0 Number O;
Lake, J. & Lauder, M. (2012) - Kettlebell Swing Training Improves Maximal and Explosive Strength The Journal of Strength and Conditioning Research - Volume 26 -Number 8;
Manual Nivel 1 e Nivel 2 da Federação Ibérica Kettlebell Sport (FIKS) (2013)
McGill, Stuart (2007) - Low Back Disorders: Evidence-Based Prevention and Rehabilitation – Human Kinetics.
McGill, S. & Marshall, L. (2012) - Kettlebell Swing, Snatch and Bottom-Ups Carry: Back and Hip Muscle Activation, Motion, and Low Back Loads. The Journal of Strength and Conditioning Research - Volume 26 -Number 1;
Tsatsouline, Pavel (2006) – Enter the Kettlebell – Strength Secret of the Soviet Supermen- Power by Pavel, Incorporated;
STACK.COM – Scott Abramouski - Proper Breathing Technique for Kettlebell Swings;
STACK.COM - Elite Performance with Michael Boyle -How to Teach the Kettlebell Swing;

Van Gelder et al (2015) – EMG Analysis and Sagittal Plane Kinematics of the Two-Handed and Single-Handed Kettlebell Swing: A Descriptive Study. The International Journal of Sports Physical Therapy Volume 10, Number 6;

01 março 2016

O que é o BOSU?



Quer experimentar uma aula de BOSU® e não sabe o que pode esperar?

As aulas de BOSU® são apropriadas para todos e quando experimentar vai querer voltar novamente!


BOSU® Balance Trainer (BOth Side Utilized) é uma ferramenta de treino em que se utiliza os dois lados (tal como o nome indica) que permite treinar várias componentes de treino como o equilíbrio, estabilidade, força, cardiovascular e o core (centro). 
Por exemplo, melhorar o equilíbrio em pé para reduzir as quedas no seu dia-a-dia. Como por outro lado, um atleta de competição para realizar treino de estabilidade de acordo com a sua modalidade. Por isso, desde um cidadão comum a um atleta de competição, todos podem realizar.
Conhecendo melhor a BOSU®, tem cerca de 26 cm de diâmetro e pesa cerca de 6 kg. Tem resistência à rutura até 158 Kg. O treino pode ser realizado em várias posições:
- De pé (do lado da cúpula apenas)
- Ajoelhada (dome ou plataforma)
- Sentados (dome ou plataforma)
- Barriga para baixo (cúpula lado provável que seja mais confortável)
- Barriga para cima (cúpula lado provável que seja mais confortável)
- Deitada de lado (cúpula lado provável que seja mais confortável)
- Segurando a BOSU® para aumentar a resistência 




Nas aulas de BOSU® todos os instrutores são certificados e as aulas são estruturadas para realizar os exercícios da forma mais segura e eficaz. Todos os exercícios têm opção de progredir ou regredir conseguindo que todos realizem o mesmo exercício ao mesmo tempo, de forma coesa – exercício em grupo -, ao ritmo da música, desafiando aula a aula com a orientação do instrutor, mantendo-o sempre focado no treino diretamente aos resultados.

As aulas têm a duração de 30 minutos e são realizadas em circuito utilizando a BOSU® e o peso corporal. Desde o início até ao final da aula, vamos modificando e progredindo nos exercícios para que todos treinem segundo o seu objetivo, seja perda de massa gorda, tonificação, melhorar resistência cardiovascular, etc.

Se quer experimentar uma aula de BOSU®, informe o seu instrutor que é um "novato nas aulas de BOSU®", e ele ou ela fornece as modificações pontuais que vai ser sentir ao realizar a aula. 
Lembre-se, não importa qual a aula, pois todos estão a trabalhar no seu próprio nível. E nós estamos cá para o receber nas nossas aulas para que seja bem orientado do início até ao final da aula, e se sinta bem-sucedido.
E já agora, quando é que vai realizar a próxima aula de BOSU®?



Joana Alçada
Coordenadora  de aulas de grupo

Referências:
Towey, Melissa; Time do Try a BOSU® class; 28 de Agosto de 2015

Rowsey, Liz; Benefits of small group training; 8 Dezembro de 2014


17 fevereiro 2016

KETTLEBELL (KB)

A tal “bola pesada com pega”
Fui praticante de desportos de combate e numa das minhas pesquisas pela Internet encontrei uns pugilistas e wrestlers de luta greco-romana a usarem umas “bolas pesadas com pega”, e aí começou o “bichinho” pelo Kettlebell. 
Um dos primeiros contactos com alguém especializado, foi na Convenção da MANZ em finais de 2011 num pequeno Workshop com o Eugénio Santos. O interesse foi tanto que em 2013 fiz formação com a FIKS e em 2015 no Bells&Springs com o Anton Anasenko- Campeão Mundial de Girevoy Sport.
O que faz diferenciar este utensílio desportivo de uma barra ou de um halter?
- Devido ao seu design:
i) o Centro de Massas desloca-se de forma diferente o que permite que alguns movimentos sejam executados de forma pendular e balisticamente, ou seja, em aceleração e desaceleração (Strongfirst,2016);         
                                   

ii) a consciência corporal em posição vertical  ou “propriocepção vertical” como Cook (2007) denomina-a, acontece ao inverter-se o Kettlebell;
                       
- Potencia o aumento muscular, melhoria cardiorrespiratória e redução de massa gorda (Farrar et al, 2010);
- Pode ser praticado por qualquer tipo de pessoa, desde o sedentário a um atleta de alta competição (Beardsley & Contreras, 2014)
- É um transfer para desenvolver e melhorar Movimentos Olímpicos (Manocchia et al, 2013);
- Os seus movimentos são benéficos no que diz respeito à prevenção e/ou reabilitação física (McGill & Marshall,2012);

Conto consigo para uns treinos com o Kettlebell?  Até já.

Cristóvão Ringenbach Jordão
 
Functional Training Specialist - WellxProschool
Personal Trainer
Treinador Certificado pela F.P.Kickboxing & Muay Thai  
Kettlebell Instructor 



Referências:
Beardsley, C. & Contreras, B. (2014) – The Role of Kettlebells in Strength and Conditioning- Strength and Conditioning Journal;
Cook, G. - Interview with Gray Cook and Brett Jones- DragonDoor Abril 2007;
Farrar et al (2010) – Oxygen cost of Kettlebell Swings. The Journal of Strength and Conditioning Research - Volume 24 -Number 4;
McGill, S. & Marshall, L. (2012) - Kettlebell Swing, Snatch and Bottom-Ups Carry: Back and Hip Muscle Activation, Motion, and Low Back Loads. The Journal of Strength and Conditioning Research - Volume 26 -Number 1;
StrongFirst (2016) “What is a ‘Kettlebell’?”- http://www.strongfirst.com/products/kettlebells/ 



11 fevereiro 2016

A IMPORTÂNCIA DO TREINO PERSONALIZADO


O serviço de treino personalizado em Portugal tem vindo a evoluir de ano para ano, e o ginásio Village Fitness não foge à regra. Mas qual é a importância de treinar acompanhado com um “PT”?
O treino personalizado é definido como: treino com aplicação de sobrecarga tendo em vista a melhoria da condição física em consonância com o objetivo do nosso cliente (Guedes Jr, 2008). O treino personalizado deverá ser orientado por um profissional qualificado na área do exercício e saúde tendo em vista a obtenção de uma forma rápida e segura os objetivos a que o cliente se propôs, sejam eles de ordem estética, de reabilitação, de treino ou até mesmo de manutenção, tendo sempre em atenção o principio da individualidade biológica elaborando assim um programa “especial” para cada cliente (Domingues Filho, 2006).
Assim sendo as grandes vantagens do treino personalizado são:
  • Acompanhamento
O acompanhamento prestado por parte do Personal Trainer engloba não só as sessões de treino, mas também todo o acompanhamento que é feito durante a semana tendo em vista a obtenção dos objetivos do cliente. O acompanhamento permanente confere maior sensação de confiança, permitindo desfrutar melhor da atividade física. 
  • Compromisso
Cada treino é agendado de acordo com a sua disponibilidade, são encontradas estratégias para gerir o tempo, de forma a atingir a regularidade necessária para atingir resultados.
  • Eficácia/Resultados
Sendo orientado para as características específicas de cada um, através do treino personalizado será mais fácil e rápido alcançar os objetivos pré-estabelecidos, o conhecimento de um treinador pessoal permitirá potencializar o treino, através de estímulos e metodologias de trabalho diferentes, garantindo eficácia e rapidez na obtenção de resultados.
  • Exclusividade
Durante as sessões de treino personalizado, o Personal Trainer dedicará toda a sua atenção ao seu cliente.
  • Motivação
O Personal Trainer contribuirá para evitar a rotina e monotonia dos treinos, diversificando o trabalho desenvolvido e levando-o a sentir-se mais motivado e a não desistir, consegue-se assim um maior compromisso pessoal de empenho e disciplina. 
  • Segurança
A segurança é dos pontos mais importantes para a obtenção de resultados, a correta execução dos movimentos (em termos de postura e/ou carga) é assegurada pela constante supervisão do seu Personal Trainer, minimizando o risco de lesões. 
A intensidade e volume do treino são monitorizados com base nos conhecimentos do treinador, tendo em conta a condição física e tipo de objetivos que o cliente pretende alcançar.

Assim sendo se vai iniciar a prática de atividade física ou se já faz exercício e não conseguiu atingir os resultados a que se propôs, não hesite em aderir ao treino personalizado, pois assim conseguirá obter os seus objetivos de uma forma, rápida, eficaz e sobretudo segura. 

Quando vai ser o seu primeiro treino?


Luis Silva
Personal trainer

Referencias: 
GUEDES Jr, D. P.; SOUZA Jr., T. P.; ROCHA, A. C. Treinamento Personalizado na musculação. São Paulo: Phorte, 2008.
DOMINGUES Fº., L. A. Manual do personal trainer brasileiro. 3 ed., São Paulo: Ícone, 2006.
ACSM’S Resoures For The Personal Trainer. 3ª Edição, Filadelfia, 2010.




26 janeiro 2016

O MUNDO DO FITNESS INTEGRADO NAS MODALIDADES DESPORTIVAS


Face ao meu Mundo situar-se entre o Fitness e uma modalidade desportiva, mais propriamente o futebol, decidi escrever de que forma o Fitness pode contribuir para o desenvolvimento do rendimento dos atletas nas suas modalidades.
Como tal, é preciso responder a várias questões: Onde? Como? O que se pode fazer? E Quando?, o Fitness pode ter um papel bastante importante no rendimento do atleta. O Mundo do Fitness pode principalmente intervir na área da condição física, nas capacidades motoras condicionais e coordenativas. 
Capacidades condicionais são:
  • Força
  • Flexibilidade
  • Resistência
  • Velocidade
Capacidades coordenativas são:
  • Capacidade de ritmo
  • Orientação espaço-temporal
  • Diferenciação cinestésica
  • Capacidade estático-dinâmica
  • Capacidade acústica
Hoje em dia a qualidade das equipas e jogadores é maior e o calendário competitivo a que cada atleta/equipa está sujeito é muito extenso e com poucos intervalos de tempo de recuperação.  Logo torna-se importante realizar um trabalho na área da condição física, ou seja, nas capacidades acima descritas, de modo a que o atleta consiga ter um alto rendimento por um largo período de tempo. Portanto torna-se importante que a força explosiva, força resistente, flexibilidade e a velocidade sejam potenciadas para que haja uma melhor capacidade muscular por parte do atleta. Na atualidade, é reconhecido que o desempenho do atleta deve-se à íntima relação da execução do gesto técnico, utilizado devidamente nas mais diferentes situações táticas do jogo, com a capacidade de realizá-lo de uma forma cada vez mais explosiva e nos diferentes tempos do jogo, ou seja, tornando o atleta com uma maior capacidade funcional no jogo. 
Com base nisto, o treino funcional e a musculação são fundamentais para as diferentes modalidades desportivas, fazendo com que o atleta esteja capacitado de dar resposta às exigências e imprevisibilidades da competição, diminuindo até o risco de lesão.
Da próxima vez, irei abordar como é aplicado o treino funcional e os benefícios que o atleta adquire.

Joao Santos
Instrutor e Personal trainer


http://f-marc.com/11plus/instrucoes/