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28 outubro 2016

Core Training
No seguimento da minha anterior publicação em que abordei a importância do treino funcional, surge agora a necessidade de aprofundar mais esse tema, falando sobre o Core Training, um dos pilares do treino funcional.

A palavra Core vem sendo cada vez mais utilizada em ginásios, quer por profissionais quer por clientes, para muitos deles a palavra Core é sinonimo de trabalho abdominal, infelizmente esta ideia está longe de ser verdadeira, não podemos pensar que quando falamos de Core apenas estamos a falar naquilo que maior parte de nós ambicionamos, ter um six pack. Assim sendo é de todo importante dar a devida importância ao Core.

Antes de mais é importante perceber o que realmente é o Core, o Core também denominado por "zona de força" ou "zona de energia", é a região onde se localiza o nosso centro de gravidade, mais importante, é onde todos os movimentos são iniciados. Além disso, o core é responsável por gerar força, manutenção do equilíbrio e estabilidade e melhorar a coordenação durante o movimento. 

O Core é formado por uma unidade integrada composta por 29 pares de músculos, localizados entre o diafragma, e o pavimento pélvico, anteriormente pelos músculos da parede abdominal e posteriormente pelos músculos paravertebrais e glúteos. Os músculos do Core podem ser divididos em região Abdominal, região da Bacia e região Lombar.

Estes músculos são responsáveis por manter a postura, criar movimentos, coordenar as ações musculares, manter a estabilidade, gerar e transmitir força através de todo o corpo. 

Realizar tarefas como carregar as compras, dar um mergulho, lançar uma bola ou realizar um determinado exercício faz com que os músculos do Core atuem de forma concêntrica, excêntrica, e/ou isometricamente numa variedade de planos para completar o movimento ou padrão de movimento com sucesso.

Existem diversos benefícios de ter um Core forte e estável, entre os quais:

· Aumenta o desenvolvimento da potência;
· Melhora a eficiência e a estabilidade;
· Melhora o equilíbrio;
· Diminui o risco de lesão;
· Melhora as adaptações neurais (ativação mais rápida do sistema nervoso).

Falta perceber então qual a melhor forma para treinar o nosso Core. Para fortalecer o Core apenas temos de deixar os 29 pares de músculos fazer o seu trabalho quando colocamos cargas pesadas sobre as nossas mãos ou ombros, assim sendo qualquer exercício pode ser um exercício de Core, desde que se utilize a postura correta na execução dos mesmos.

Num estudo realizado tentando perceber o trabalho exercido sobre alguns músculos que constituem o Core em determinados exercícios, comparou-se o movimento de Agachamento e Peso morto (exercícios compostos) com o movimento de prancha lateral e Super-homem (exercícios de isolamento do Core) e constatou-se que os níveis de ativação do Core foram superiores nos exercícios compostos, assim mais uma vez percebemos que qualquer exercício desde que executado da forma correta pode ser um exercício para o Core.

Assim, conseguimos concluir a importância de ter um Core forte e estável, reduz o risco de lesão, melhora a nossa performance o que nos permite alcançar os nossos objetivos de uma forma mais eficaz.




HANDZEL, T. Core Training for Improved Performance. NSCA Performance Training Journal. Volume 2 Number 6, 2003

http://www.pure-strength-training.org/2015/02/o-treino-do-core-vs-o-core-do-treino.html  


Instrutor de Musculação e Cardiofitness
Personal Trainer
Instrutor Aulas de Grupo

15 junho 2016

O Agachamento

Desta vez vou começar a minha temática explanando uma frase famosa do filósofo grego Aristóteles:

“Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito!”

Estando eu muito de acordo com estas sábias palavras e sabendo que têm interesse em ficarem mais fortes e mais aptos, deixem-me aconselhar-vos para que façam BEM os movimentos considerados mais importantes, pois assentam em bases sólidas de biomecânica, biologia, física, fisiologia e anatomia humana: o Agachamento, o Peso Morto, o Bench Press, o Press e o Power Clean
Hoje vou debruçar-me sobre o AGACHAMENTO, o qual fazemos repetidamente nas aulas de Body Pump.

  • O que é um Agachamento?
Um agachamento é uma flexão completa dos joelhos e das ancas. Se assim o fizerem, esperem ter glúteos “elevados”, coxas e pernas torneadas com apenas alguns meses de dedicação.

  • Benefícios do Agachamento

  • maior facilidade ao levantar e sentar de uma cadeira, sofá, sanita, etc.
  • maior facilidade para subir escadas;
  • aumenta a capacidade física em geral, permitindo realizar mais tarefas sem se cansar tão rapidamente;
  • caminhar com facilidade e mobilidade melhorada;
  • diminui problemas de coluna, pois ao ter coxas e pernas mais fortes, não solicitamos tanto os músculos da zona lombar e da cintura. Como trabalha os glúteos de forma intensa mantém a bacia alinhada e uma melhor postura da coluna.
  • melhora a postura em geral porque trabalha os grandes grupos musculares do corpo humano. Ao adicionar carga sobre o tronco intensificamos o trabalho da cintura, o que irá tornar esses músculos mais fortes, resistentes e flexíveis, mantendo uma boa postura durante mais tempo no dia-a-dia;
  • melhora a eficiência coração-pulmão;
  • pode ser realizado em casa sem qualquer material adicional e até se recomenda que seja efetuado descalço para melhorar o equilíbrio;
  • melhor base de sustentação para todo o tipo de movimentos desportivos ou funcionais. Permite um transfere bastante amplo para outras atividades e para outros movimentos;
  • tem um grande impacto metabólico, porque quanto mais grupos musculares utilizamos num movimento, maior a “agitação hormonal”;
  • trabalha as áreas mais importantes do corpo humano: pernas, coxas, ancas e cintura. Quando temos pernas fortes não sobrecarregamos tanto a coluna, se tivermos glúteos poderosos, protegemos a zona lombar, como obriga a um trabalho intenso de cintura onde está o nosso centro de gravidade, permite-nos ter um centro forte para efetuar qualquer outro tipo de movimentos no dia-a-dia ou no ginásio.

  • Como fazer bem o Agachamento?



  • Pés ligeiramente mais afastados do que a largura dos ombros;
  • Ponta dos pés ligeiramente voltadas para fora;
  • Mãos à distância de um polegar das coxas;
  • Barra apoiada a meio das omoplatas;
  • Pulso alinhado com o antebraço;
  • Peso nos calcanhares, que estão SEMPRE em contato com o solo.
  • Joelhos suaves;
  • Peito elevado;
  • Ombros para trás e para baixo, na direção da coluna;
  • Iniciar a descida, fletindo a anca sentando atrás e em baixo;
  • Joelhos movimentam-se para a frente, em linha com os pés para carregar os quadríceps;
  • Na descida, nádegas na linha dos joelhos; 
  • Umbigo para dentro e abraçar os abdominais na base do agachamento para suportar a zona lombar;
  • Na fase de subida, empurrar os calcanhares para baixo para ativar os glúteos, como se fossem dividir o chão;
  • Conduzir o movimento pela bacia, de forma a exercitar os músculos posteriores da perna.
  • Contrair glúteos na subida;
  • Na subida, afastar os joelhos para fora;
  • No topo, evitar a hiperextensão dos joelhos e a inclinação da bacia à frente;
  • Olhar dirigido para baixo;
  • Inspira na descida e Expira na subida (pressão intra-abdominal aumenta para a coluna se manter na posição correta);


Filipa Silva
Instrutora de BodyPump

Mark Rippetoe.  Starting Strength: Basic Barbell Training, 3rd edition Paperback – November 11, 2011.
Les Mills International Ltd. Manual de Body Pump. 2015

12 abril 2016

O EFEITO DAS REPETIÇÕES NO BODY PUMP: O QUÊ E PARA QUÊ?!


Será que ao fazer Body Pump (BP) com uma barra com 5kg vai ter menos resultados do que aquelas pessoas que estão na sala da musculação a fazer 3 séries de 10 repetições com 20kg na barra?
O BODYPUMP foi construído, não apenas com pesquisas, mas também utilizando a experiência de atletas. Se você acha que levantar pesos menores que os da sala de musculação não dá muito resultado, a ciência prova que você está equivocado. Foi provado que a fadiga muscular é o que gera resultados e a carga, sendo pequena ou grande, é uma característica secundária.

O BP é um programa especializado em criar múltiplas formas de fatigar os nossos músculos. Com uma quantidade extremamente alta de repetições, que gira em torno de 800 por aula, e empregando diversos movimentos diferentes, o programa acaba por trabalhar os músculos de forma mais rápida e eficiente que na musculação comum. Utiliza-se muito menos carga para fatigar o músculo e é a fadiga muscular e não a sobrecarga nos músculos que nos dão a definição e o fortalecimento: treino encorajador e não intimidador!
No entanto, 3 fatores são fundamentais para garantir o resultado do BP:
  1. Velocidade das repetições:
Modificar a velocidade do movimento obriga o músculo a ativar diferentes tipos de fibras. Os movimentos mais lentos acionam as fibras mais profundas, as de tipo I, enquanto os movimentos rápidos ativam fibras tipo II, as mais superficiais.
  1. Amplitude dos movimentos:
Entre uma repetição e outra o músculo é oxigenado quando parámos a contração, isto é, quando descansamos o peso. Esse descanso pode ser quebrado quando se fazem as repetições pela metade, isso faz com que o praticante atinja mais rapidamente o ponto de fadiga, mesmo utilizando pouco peso/carga. 
  1. Sequência de fadiga:
Focar em áreas específicas permite que o praticante trabalhe seletivamente os músculos. Dessa forma acontece um efeito de fadiga generalizada ao final do treino. Isso também acelera o metabolismo e vai queimando calorias após o final da aula.

Por este motivo devemos amar cada repetição!! Muitas repetições em diversas formas e tamanhos vão trazer resultados. Esse é o chamado Efeito das Repetições
O treino com elevado número de repetições aumenta a síntese proteica no músculo – é isso que nos dá o tônus muscular – comparado com um treino de carga alta tradicional, com menos repetições. Ele aumenta a força de endurance, o que desenvolve um músculo tonificado, sem que seu volume aumente muito. Isso faz com que o treino de BP seja ideal para aqueles alunos que tem como objetivo tonificar sem “crescer” muito, como se diz popularmente.
Numa aula de BP atingimos dois tipos de fadiga: a fadiga isolada da musculatura e a fadiga acumulada ao longo da aula (800 repetições por aula). A fadiga é aliada no processo de definir e tonificar a musculatura. Além disso, o fato de a sua frequência se manter elevada ao longo da aula faz com que você também tenha um excelente trabalho cardiovascular e queime gordura ao mesmo tempo que define e tonifica os músculos. 
Combinação ideal! Para qualquer pessoa, independente de idade e nível de condição física, pode praticar e ter excelentes resultados! Se você ainda não faz, venha comprovar por si mesma!

Filipa Silva
Professora de BodyPump
Burd, N., et al. Low-Load High Volume Resistance Exercise Stimulates Muscle Protein Synthesis More Than High-Load Low Volume Resistance in Young Men, Plos One, August 2010, Volume 5, Issue 8, e 12033.

Wernbom, M. Ischemic strength training: a low-load alternative to heavy resistance exercise? Scand J Med Sci Sports. 2008:18:401-416.

15 março 2016

Qual a importância do treino de FORÇA e quais as vantagens das aulas de BODY PUMP?


Tem sido cada vez mais frequente vermos estudos que comprovam a importância do treino de força na prevenção e tratamento de doenças metabólicas e ortopédicas. Existe muita evidência científica e estudos de intervenção a reportar resultados muito interessantes com a aplicação do treino de força ou resistência muscular para doentes cardíacos, para diabéticos, para pessoas com hipertensão, osteoporose, cancro, para pessoas com doenças cognitivas, para mulheres em menopausa, etc. Isto aliado ainda ao aumento da longevidade, é um dos aspectos que mais lhe deviam despertar o interesse pela prática de exercício físico. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “a saúde é muito mais que a ausência de doença! e é isto que os médicos precisam de compreender para aconselharem melhor os seus pacientes. Será que ao invés de receitarem uma série de medicamentos para baixar a tensão arterial ou o colesterol ou até mesmo o peso corporal receitarem umas quantas séries de agachamentos semanais não estariam a combater a doença de forma mais saudável? 
BENEFÍCIOS DO TREINO DE FORÇA
  • melhora a composição corporal (perda de massa gorda e aumento de massa magra);
  • Aumenta a remodelação óssea, ou seja, você vai ficar com os ossos mais fortes e reduzir o risco de osteoporose (inclusivamente após a menopausa, onde diminui drasticamente a perda óssea);
  • Fortalece o tecido conjuntivo, ou seja, você vai aumentar a estabilidade das suas articulações e reduzir o risco de lesão até mesmo na tarefas do dia-a-dia;
  • Aumenta a auto-estima e confiança. Um corpo mais forte vai tornar a sua mente mais forte!

  • Combate os efeitos da síndrome metabólica e de outras doenças crónicas comuns na nossa sociedade, tais como doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, cancro, fibromialgia, artrite reumatóide e Alzheimer;
  • Aumenta a longevidade de forma saudável, porque o treino de força vai potenciar a libertação de hormonas anabólicas que têm um papel importante na regeneração dos tecidos.

RESUMINDO, o treino de força tem o potencial de restabelecer a firmeza dos seus músculos, pele e de definir aquelas partes do corpo que você pensa que só é possível através de cirurgia, de suplementos milagrosos e das técnicas mais avançadas de “tonificação muscular”!

Como pode alcançar tudo isto? Poderei aconselhar a vir experimentar, por exemplo, uma aula de BODY PUMP!
BODYPUMP™ é uma aula criada pela Les Mills International (uma equipe de médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, biomecânicos e professores de educação física), na Nova Zelândia, em 1990, e é praticada em mais de 80 países diferentes.
Esta aula foi desenvolvida para trabalhar o corpo INTEIRO, combinando música altamente motivante com exercícios de levantamento de pesos, treinando assim a força e a resistência muscular
Durante 3 meses, as rotinas permanecem iguais, para permitir o maior alcance da excelência na execução dos exercícios e um melhor estímulo muscular, agilizando o alcance dos benefícios, principalmente os estéticos e fisiológicos. O que não seria possível se as aulas mudassem todos os dias.

Benefícios do BODYPUMP™
  • Queima calorias, em média 560kcal por aula
  • Define a musculatura, aumentando força e resistência muscular
  • Aumenta a densidade óssea, diminuindo o risco de osteoporose
  • Melhora a postura, pois trabalha a força e a estabilidade do seu core
  • Proporciona resultados rápidos

Estrutura do BODYPUMP™
Qualquer tipo de alteração descarateriza a aula e interfere nos resultados esperados. O Les Mills BODYPUMP™verdadeiro deve ser ministrado por um professor treinado pela Les Mills, num ginásio licenciado e segue a seguinte ordem das músicas:
  • Aquecimento
  • Agachamento
  • Peito
  • Costas/ Glúteos/ Posteriores de coxa
  • Tríceps
  • Bíceps
  • Lunges
  • Ombros
  • Abdominal
  • Retorno à calma/ Alongamento


Filipa Silva
Professora de BodyPump





ACSM, American College of Sports Medicine, Guidelines for exercise testing and prescription, seventh edition, 2006.
Winters KM, Snow CM. Detraining reverses positive effects of exercise on the musculoskeletal system in premenopausal women. J Bone Miner Res. 2000 Dec;15(12):2495-503.
Nickols-Richardson SM, Miller LE, Wootten DF, Ramp WK, Herbert WG. Concentric and eccentric isokinetic resistance training similarly increases muscular strength, fat-free soft tissue mass, and specific bone mineral measurements in young women. Osteoporos Int. 2007 Jun;18(6):789-96. Epub 2007 Jan 31.
Ciccolo Joseph T, Carr Lucas J, Krupel Katie L, Longval Jaime L. The Role of Resistance Training in the Prevention and Treatment of Chronic Disease. American Journal of Lifestyle Medicine July/August 2010 vol. 4 no. 4 293-308.
Cussler EC, Lohman TG, Going SB, Houtkooper LB, Metcalfe LL, Flint-Wagner HG, Harris RB, Teixeira PJ. Weight lifted in strength training predicts bone change in postmenopausal women. Med Sci Sports Exerc. 2003 Jan;35(1):10-7.
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